domingo, 15 de dezembro de 2013

Crescimento dos evangélicos: um censo sem senso.

O número de evangélicos está crescendo constantemente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está aí para nos provar isto.

Em 1980 o percentual de brasileiros evangélicos era de 6,6%. Em 1991, o número subiu para 9%. Em 2000, aproximadamente 15,4%, e no ano de 2010, 22,2% - 42,5 milhões de pessoas.¹

Uma pessoa ingênua olha e diz: "Louvado seja Deus! O Brasil está se rendendo aos pés Dele!", mas será que é isto mesmo?

O Censo, porém, erra ao considerar todos os que se dizem evangélicos como evangélicos, de fato e de verdade!. Evangélico é quem ouviu o Evangelho e creu em sua mensagem. Não são raros os casos de gente que diz ser de Jesus, mas que não deixa de fazer aquela 'fézinha' pra algum 'santo' qualquer.²

Uma pesquisa recente ³ mostrou que uma igreja nova é aberta a cada duas horas no Brasil. Na rua em que moro, na cidade de Manaus, no bairro de Petrópolis, temos mais igrejas que mercadinhos - literalmente!. É algo que foi banalizado. Qualquer um abre uma igreja. Qualquer um vira pastor. Não é de se admirar, portanto, que o número de charlatões e de fiéis que não tem noção da sua própria fé estejam crescendo tanto, e arriscaria dizer que até exponencialmente.

Com toda sinceridade, e com muito pesar, não creio que o Brasil está se rendendo ao Senhor. O Brasil parece que está se entregando ao Senhor, porém, só parece! A realidade é que o movimento daqueles que se dizem evangélicos tem afastado mais as pessoas de Deus do que as aproximado.

O IBGE diz que o número de Evangélicos está crescendo, as evidências pautadas pela Palavra, todavia, nos asseguram que não. Se, realmente, estivéssemos provando este tal crescimento, fatores como violência, prostituição, tráfico, desonestidade, homicídios, depressão, no mínimo, estariam estáticos, ou diminuindo sua expansão. Mas o que se vê é que não estão.

Existe uma premissa que é verdadeira em qualquer lugar da terra: a Igreja de Jesus é influência poderosamente positiva. Logo, se um grupo de pessoas que se auto-intitulam Igreja não tem esta influência, não são Igreja.

Não obstante de tudo isto, não nos basta apenas identificar o erro, precisamos de soluções. Apontar o dedo é fácil, arregaçar as mangas e ir ao trabalho é difícil. Ver o que precisa ser mudado muitos veem. Agir conforme a percepção é o que falta. Então, de maneira prática, o que podemos fazer?

Em primeiro lugar, saliento o que não pode mudar essa situação:

1)Escrever, publicar, ou ler bons livros não vão mudar esta situação - pois, apesar de serem absolutamente úteis e necessários eles mostram o caminho, mas não tem o poder de fazer nossos pés andarem nele.

2) Não são grandes pregadores - Eles sempre existirão porque Deus é fiel e os levantará, todavia, não executam o dever que é essencialmente nosso: tomar a decisão de viver a Palavra anunciada.

3) Não são campanhas, nem seminários - pois eles em si mesmos são somente teorias. O que pode sacudir o panorama da espiritualidade brasileira ocorre no nível da prática, não somente da ortodoxia, mas também na ortopraxia.

Então, o que fazer?

1) Orar! ( E por que deveríamos orar?)

a) Essa situação nos traz aflição! E só o fato de nos trazer aflição, em si, é um motivo para oração! "Está alguém dentre vós aflito? Ore" Tiago 5.13

b) "A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos!" Tiago 5.16. Somos justificados, portanto, somos justos por causa da justiça de Jesus e esta justiça que temos, em Cristo, faz com que nossas orações sejam eficazes, poderosas, instrumentos de Deus para a transformação do mundo.

E se o meu povo, que se chama pelo meu novo, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra"
2 Crônicas 7:14

2) Cada discípulo de Jesus começar a viver o Evangelho de forma radical. Nós ouvimos muito neste tal de chamado radical para seguir Jesus, contudo, será mesmo que sabemos por que esta radicalidade é importante? De forma sucinta levanto alguns pontos:

a) Somos chamados para esta radicalidade por que o próprio Jesus era radical, e, por sermos Seus discípulos, nosso dever é imitá-Lo. Paulo escreveu enfaticamente: "Sede meus imitadores assim como eu sou de Cristo!" 1 Corintios 11.1

b) Somos chamados para essa radicalidade por que ela é uma poderosa forma de testemunho. Alguém disse que a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Podemos falar sobre amor com maestria poética, contudo, nada será mais impactante do que trabalhar pelo bem de nosso inimigo! Podemos pregar sobre perdão, todavia, nada será mais poderosamente tocante do que um pai cristão perdoando o bandido que assaltou e estuprou a filha!

c) Somos chamados para essa radicalidade por que não desejamos nos enganar a nós mesmos, vivendo uma vida de ouvinte. "Sejam praticantes da Palavra, e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" Tiago 1:22

d) Somos chamados a esta radicalidade por que ela é nossa identidade."Vocês são o sal da terra, e a luz do mundo!" (Mateus 5:13-14) Os discípulos de Jesus ou são sal e luz, ou não são discípulos, ou são a diferença neste mundo de iguais, ou não são seguidores do homem-Deus.

Talvez você não tenha um grande nome, não tenha status no meio eclesiástico, seja um mero anônimo, mas  se preocupa com a situação que vivemos e quer poder ajudar na transformação desta realidade, então, o que lhe digo, amigo(a), é comece tudo em ti mesmo. Comece orando mais. Comece lendo mais a Palavra. Comece aplicando e praticando mais as Escrituras no seu cotidiano.

Uma cidade edificada sobre um monte não pode não ser notada. O sal não pode não ser percebido. A luz não pode não ser vista. As pessoas te notarão e, para a glória do Senhor, serão desafiadas, e muitos aceitarão o desafio, e, de um por um, este movimento se alastrará assim como o fogo se espalha no feno. Mas tudo começa no nível individual, para então virar um movimento coletivo, de quebrantamento, avivamento, e revolução que deixará marcas profundas na história.

[1] Matéria publicada no Portal G1 - "Número de evangélicos aumenta 61% em 10 anos, aponta IBGE".

[2] Entrevista publicada no: Genizah.com.br: "Brasil evangélico e seus significados".

[3] Matéria publicada no jornal cristão online: noticiasgospelmais.com.br







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